Chrigel Maurer surpreendeu por sua maneira de voar... Normalmente, nos X-Alps, não é comum voar o mais longe possível, depois pousar no vale, quando não se pode ir mais longe e andar. Nos X-Alps anda-se (ou corre-se) muito! Principalmente quando as condições estão medíocres... Um piloto com uma vontade extrema e com resistência fenomenal como o romeno Toma Coconea quase ganhou há dois anos atrás (ele perdeu-se no último dia) fazendo dia e noite etapas de 80/90 km, ou seja, tudo que os pilotos conseguem fazer voando.
Chrigel, ao contrário, esforçou-se para ficar em altitude durante dias. Se não conseguia ir mais longe, ele descansava sem esperar e sem descer no vale (Imaginamos que ele deve ter feito isso de maneira pouco ortodoxa). Dizem que ele se especializou em dobrar seu equipamento rapidamente e a subir também rapidamente para continuar: por exemplo, para passar por um colo entre duas montanhas ou subir em uma crista, para poder continuar a seguir. Foi desta maneira que ele pôde percorrer com economia de esforços boas distâncias, inclusive em condições relativamente poucos favoráveis, nublado (começo do percurso), estáveis (Alpes Franceses), ou com ventos (Dolomites). Na sua crônica jornalística, o ex-jornalista de Cross-Country Hugh Miller utilizou a expressão “Cat Fly”.
Quando é perguntado sobre isso, Chrigel Maurer simplesmente diz: "esta é a maneira que eu gosto de voar".
E o mais surpreendente, foi o estado em que ele chegou em Mônaco. Sem bolhas no pé, sem nenhum machucado, nada! Somente um pouco cansado por não dormido, é claro, só tinha uma preocupação, a de não dormir durante o vôo na sua sellette quando começava a descontrair muito...
Até o fim, Chrigel Maurer derrotou todos os prognósticos.. Saiba que Roquebrune-Monaco é um lugar semi-fechado no verão, que os organizadores não tinham imaginado uma corrida tão rápida e que as autorizações de vôo de parapente tinham sido negociadas para o dia 1 de agosto... Como Chrigel chegou no dia 28 de julho, muito antes do previsto, foi necessário renegociar urgentemente para que ele pudesse terminar na legalidade seu último vôo na balsa ! Momento difícil para a organização.
De fato, ele surpreendeu por nunca estar onde era esperado (por isso a falta de fotos de Chrigel em vôo durante o percurso). Eu reparei isso, pois durante um dia inteiro entre Sierre (Suíça) e Chamonix, esperando e explorando sem sucesso todos os lugares onde ele poderia passar ou pousar, só o fui encontrar por acaso à noite em Chamonix, à procura de uma pizzaria para comer em família, esperando por seu parceiro... Em Mônaco, esperavam por ele na estrada, mas ele chegou do outro lado, em vôo pela Itália! A organização o procura perguntando-se onde ele está e onde vai chegar, e ele está tranqüilamente na praia.
Último fato surpreendente, tudo está finalmente pronto para filmar sua chegada, mas ele é visto correndo a uma centena de metros da Decolagem e continuando para o outro lado! Steve Cox, o diretor da prova está inquieto... o quê ele está fazendo? Errou o caminho? Vai fazer os X-Alps no outro sentido? Não, ele simplesmente foi pegar uma camiseta limpa no carro do seu parceiro, estacionada à distancia. Definitivamente, Chrigel Maurer surpreendeu a todos até o fim.
De noite, quando as televisões já tinham ido embora e as luzes da cidade brilhavam, o que ele falou para Thomas Theurillat, seu parceiro? “O que achas de fazer um vôo de noite?“... Não, ele não o fez! Ele esperou o dia seguinte e a volta das televisões para terminar os seus X-Alps! |