Desde quando tu decidiste fazer os X-Alps?
Desde o outono passado, em outubro. Por quê? Fazia já um bom tempo que eu estava com vontade, mas eu não tive tempo há dois anos atrás. Eu tinha acabado de me casar e tinha meu trabalho na Advance e sempre estava bastante presente no circuito de competições. Eu não queria ficar muito longe da minha família e é por isso que eu quase parei as competições, mas os X-Alps são uma competição que eu podia preparar perto de casa.
Alguma outra razão?
Eu ainda gosto da competição, da aventura. Eu tive o que eu gosto com as copas do mundo, o vôo, as viagens, mas eu tinha vontade de novas aventuras. Mas o tempo sempre foi um problema. Com meus amigos, Advance, pensamos que os X-Alps era uma boa competição. Conversamos bastante e decidi-me a participar.
Tua preparação?
Com a Advance, concebemos uma asa: leve, sólida nas turbulências e de alta performance. Eu participei na concepção junto com Thomas Ripplinger falando de minhas escolhas e preferências. A base eram os protótipos da Omega 8: uma das dificuldades foi encontrar um bom equilíbrio entre uma vela com boa performance e que fosse de fácil pilotagem, em alguns momentos sabia que as condições seriam bem fortes, por isto o último proto do OMEGA 8 , me pareceu a boa base. Eu a queria mais fácil que uma asa de competição: na decolagem, no vôo e nos fechamentos. Era importante para mim voar com o espírito tranqüilo. Durante os X-Alps, nós voamos com ventos muito fortes ! Na verdade tive bem poucos fechamentos: eu os sentia chegar e podia reagir com um bom feeling.
Eu concebi uma selete super leve, na base de uma IMPRESS 2. Com 3,7 kg para a asa, 1,3 kg para a selete , 1,2 kg para o reserva (Sup’Air), 1,5 L de água e algumas barras energéticas, eu carregava somente entre 7 e 8 kg. Graças a esse trabalho, os outros pilotos Advance, Helmut Eichholzer e Ramon Morillas beneficiaram-se do mesmo equipamento.
E tua preparação física e mental?
Nada de especial... eu só treinei fisicamente, principalmente a subir rapidamente. Eu voei para testar a asa. Passei muito tempo a testar calçados e eu agradeço meu patrocinador Lowa porque a gente teve muitos pares à disposição (Alex Hofer, que tem pés grandes e que sempre tem dificuldades em se calçar percebeu no primeiro dia na grama molhada na Gaisberg em Salzburg que seu calçado Gore-Tex era uma imitação). Depois eu analisei em mapas e no google earth todas as rotas possíveis: eu sei que nos Alpes o tempo muda rapidamente e não queria perder tempo procurando nosso caminho. Com meu parceiro, treinamos a tomar rapidamente as decisões.
E andar no plano, tu treinaste?
Como todos os candidatos aos X-Alpes, eu treinei no plano porque de principio é a única solução para avançar rapidamente quando chove: eu fiz duas vezes 50 km e uma vez 80 km... mas eu vi que isso não daria certo para mim. Eu entendi que tinha que preservar meu condicionamento, era preferível subir a 2000m e depois voar. Coconea pode fazer a mesma distância correndo, mas eu, eu prefiro subir e voar...
Quais regiões tu conhecias?
Ah bem, não muita coisa... Eu conheço do Salève (acima de Genebra) até o Mar, porque há alguns anos atrás eu tinha feito este caminho em vôo bivouac com meus amigos para me divertir. Senão, eu tinha voado uma vez na região de Berchtesgaden na Alemanha. Mas o resto, o Watzmann, a Áustria, o Grossglockner, as Dolomitas, a subida para a Suíça pelos lagos Italianos e até o setor de Cervin, eu não conhecia. Mas como, de qualquer maneira, tudo muda com as condições metereológicas, não foi ruim. Na verdade, nossa grande força foi ser flexível.
Mas como vocês fizeram?
A gente pensou muito. Definimos os “pontos de decisão”: por exemplo, depois de Bolzano, sabíamos que era necessário escolher entre o vale da Valteline por Sondrio e o norte da Itália, ou a subida mais ao norte até Engadine por Meran e Chur, como fez Alex Hofer (Dois anos atrás Alex, especialista das rotas inéditas, tinha sido o único a passar ao sul da Valteline!). Em Chamonix, a gente sabia que era ou atravessar as montanhas pela Savóia, ou dar a volta em direção a Grenoble. Enfim, fizemos listas: a cada montanha, qual seria o caminho a decidir em função do tempo? ... ou do condicionamento do piloto? Tudo isso nos ajudou muito a clarear as decisões.
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