19/10/2009 |  Chrigel e X-AlPS - parte final

Durante a corrida, quando eram tomadas as decisões ?

Sempre cedo : não se deve se encontrar no meio de um vale profundo para então se perguntar aonde ir depois... Por exemplo, pegar a via sul após Bolzano e a saída das Dolomites, a gente já havia decidido com as previsões do tempo, antes mesmo de eu decolar de manhã nas Dolomites. Mas senão a gente fazia o caminho ao longo do período em que avançava: por exemplo, no pouso em Chamonix eu encontrei Caroline Brille (ex-competidora, monitora de vôo em Chamonix), a quem eu perguntei sua idéia para a seqüência. Ela me disse o Mont-Joly (em cima de Saint-Gervais-les-Bains): eu olhei o mapa e vi que podia decolar cedo, que uma bela arête levava em seguida até Bourg-Saint-Maurice e a gente decidiu passar por lá. A gente procedeu bastante desta maneira para decidir.

 

 

Você observou o que os outros pilotos faziam?

Não, eu fiz minha corrida e segui meu caminho. Não leva a nada observar o que os outros fazem: por exemplo, se eu via o Alex que ia mais rápido ao norte, o que eu poderia fazer? Forçar ainda mais? Arriscar mais? Não, a gente tinha decidido: sem stress, sem pressão, a gente segue a aventura.

 

Poderias ter ido mais rápido?

Sim... No inicio, me preocupei com meus pés, sem forçar muito. Eu pensei em me economizar para  o caso de ter de forçar mais no final. Para mim, era importante ter um bom ritmo, dormir bem, não andar muito nas estradas e, claro, voar o máximo de tempo possível, porque era voando que eu descansava e me “reconstruía”... Admito que o tempo relativamente favorável (nota: apesar do vento deste ano e das condições fortes, até muito fortes nas Dolomites para muitos pilotos) ajudou-me, porque se chovesse eu teria tido muito mais dificuldades.

 

Qual era seu ritmo?

Eu acordava às 5 horas, protegia e cuidava dos meus pés. Em seguida uma hora de caminhada antes do café da manha, 15 a 20 minutos. Quase sempre, eu andava 1 a 2 horas numa estrada, seguida de 2 a 3 horas de subida: era importante estar pronto na decolagem antes que começasse a thermiquer, nunca muito tarde. Depois, claro, eu tentava voar o mais longe possível, pensando em parar de vez em quando para me alimentar ou descansar... Ou se as condições pediam. Por exemplo, saindo de Mont-Joly, fiz cinco vôos pequenos até Bourg-Saint-Maurice porque as condições de tempo estavam realmente muito estáveis. À tarde, posei 2 ou 3 vezes com subidas rápidas a pé, para fazer 180 km até Briançon. No geral, eu terminava meu vôo de distância principal entre 18 e 19 horas e começava a pensar no lugar onde eu iria dormir e aonde eu iria no dia seguinte. Freqüentemente, eu voava à noite: estando pronto em torno das 20 horas para pousar às 21 horas, às vezes pude percorrer 15/20 km planando, um pouco antes do sol se pôr, aproveitando as restituições térmicas ou em soaring de fim do dia sobre as faces expostas: Eu pude percorrer as mesmas distâncias a pé no fundo do vale, mas como eu já disse, eu preferia subir. Eu dormia de meia noite até as 5 horas da manhã, todos os dias menos um, no qual eu só dormi 3 horas e meia, e outro onde eu dormi 6 horas.

 

Você passou por dificuldades?

Uma vez, nas montanhas entre o lago de Como e Bellinzona. A gente tinha pedido conselho aos locais, mas o caminho que eles indicaram se perdia. O terreno era repleto de árvores e durante uma hora e meia explorei com minha lanterna antes de decidir fazer meia volta. Foi a noite na qual eu dormi menos. Foi meu momento mais difícil.

 

Você gostou desta aventura?

Sim, claro. Eu adorei fazer... E era muito bonito. Como não era uma competição comum onde os pilotos voam juntos. Então, aproveitando disso estava tranqüilo para aproveitar da paisagem, observar os pássaros e as montanhas...

 

Qual foi o lugar mais bonito?

Eu gostei muito da passagem do Cervin, com um campo glacial impressionante, um tempo morno muito agradável e um ar claro, com boa visibilidade. Mas o vôo mais bonito foi o de chegar ao mar (120 km em 5 horas e meia no último dia): ir do fundo dos Alpes e pousar no mar, era um grande sonho!... De fato era meio tarde e eu cheguei muito baixo na última transição para poder fazer um top-landing na decolagem em Mônaco. Eu poderia ter pousado a meia-altura e depois subir, mas estava com muita vontade de tomar um banho de mar! Então preferi pousar na praia (800 metros a subir!). Eu estava relaxando quando meu parceiro Thomas me chamou para subir o mais rápido possível, porque a organização me esperava com os meios técnicos, helicópteros e televisão para que eu terminasse minha corrida à noite. Eu subi correndo, mas alguns minutos atrasado para decolar: eu só terminei a prova no dia seguinte.

 

Você vai refazer os X-Alps?

Claro, eu gostaria muito... Foi uma bela aventura e tive muito prazer em fazê-la. Mas eu vi também que é difícil sair duas semanas. Este ano eu tinha dois objetivos importantes: minha família e os X-Alps. No futuro, minha família estará sempre presente, já não posso dizer o mesmo dos X-Alps.

 

 

 

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